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Texto e fotografia: Marcelo JB Resende
Reprodução não autorizada
Congonhas conserva verdadeiras jóias arquitetônicas
e preciosidades artísticas. A mais importante delas com
certeza é a Basílica de Bom Jesus do Matosinhos
e seu entorno.


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São 78 esculturas em tamanho natural,
dentre elas 12 profetas dispostos no adro da igreja e confeccionados
em pedra-sabão. As outras, em cedro, formam e representam
os Passos da Paixão de Cristo. O conjunto de imagens
é tão monumental que foi considerado pelo
francês Germain Bazin, grande estudioso do barroco
mineiro, um dos mais belos da Terra. Ele foi ainda mais
longe: acreditava ser "a última aparição
de Deus evocada pela mão do homem." E tudo isso no
coração de Minas Gerais, distante milhares
de quilômetros dos grandes centros europeus formadores
da sociedade ocidental.
Tudo começou na segunda metade do séc.
XVIII pela iniciativa de um homem encardido pelo pó
de minério e impregnado de fé. O português
Feliciano Mendes, após se recuperar de uma doença
contraída nos muitos anos de labuta nas minas de
ouro, decidiu construir um templo em homenagem ao Bom Jesus
do Matosinhos, a quem fizera uma promessa. Passou o resto
de sua vida coletando esmolas e em 1757 começou a
obra, morrendo em 1765 sem vê-la concluída.
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Muitos artistas foram contratados e juntaram seus
talentos para dar o acabamento À Basílica. Nomes
como Manoel da Costa Ataíde, Francisco Xavier Carneiro,
João Nepomuceno Ferreira e Antônio Francisco Lisboa
(o Aleijadinho) tocaram com sua arte o sonho de Feliciano. A igreja
recebeu acabamento, pinturas e entre 1777 e 1790 foi construído
o adro e suas escadarias. Este adro, a partir de 1796, seria o
palco perfeito para o imaginário de Aleijadinho. Os profetas
em pedra e os Passos se adequaram harmoniosamente ao espaço
e concepção arquitetônica do Santuário.
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Entre 1796 e 1805 Aleijadinho deixou o que muitos
consideram sua obra-prima. Não estava sozinho. Contava
com a ajuda de seus discípulos. Um estudo preciso
das 66 estátuas dos Passos demonstram variações
que comprovam a intercessão de terceiros. Outro dado
importante é que Aleijadinho, nesta época,
já estava gravemente mutilado por uma misteriosa
doença, que pesquisadores acreditaram ser lepra.
Trabalhava com as ferramentas amarradas aos braços.
Estudos recentes nas ossadas do artista demonstraram que
ele sofria de porfiria. Esta enfermidade é caracterizada
por sensibilidade À luz, que desencadeia uma dermatite
grave e deformante. A mutilação torna-se extensa,
causando a perda dos dedos, partes do nariz, orelhas e cicatrizes
nas bochechas e boca, quando expostos À luz.
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O curioso é que a pintura das estátuas
dos Passos só foi iniciada em 1808, com execução
do mestre Ataíde e provavelmente também do mestre
Francisco Xavier. Indícios permitem afirmar que a pintura
dos diversos grupos de imagens era realizada conforme se construíam
as capelas que as abrigariam. Uma dúvida surge então:
como as três últimas capelas só foram concluídas
em 1875, quem teria pintado as estátuas que se encontram
nelas?
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